Ultra Gobi AlUla: “Um evento seguro, onde cuidamos de todos”

Autor: Redação Data: 14-10-2026
Publicado na categoria: Eventos

Em janeiro de 2027, o Ultra Gobi inicia um novo capítulo na sua história ao realizar-se, pela primeira vez fora da China, no espetacular cenário de AlUla, na Arábia Saudita. Entre formações rochosas monumentais, património milenar e vastas paisagens desérticas, a organização promete uma experiência única para os participantes. Nezar Al Tuwaijri, fundador e CEO da Race Arabia, empresa responsável pela componente competitiva do evento, garante que a segurança dos atletas e a preservação do território estarão sempre em primeiro plano.

A edição de 2026 do Ultra Gobi decorreu entre 27 de setembro e 4 de outubro, em Dunhuang, na China, onde uma delegação de AlUla acompanhou de perto o evento para preparar a transição daquela que será a primeira edição internacional da prova.

Entre os presentes encontrava-se Nezar Al Tuwaijri, fundador e CEO da Race Arabia, empresa responsável pela organização operacional da corrida e pelo apoio logístico no terreno. Além da sua experiência na gestão de eventos de endurance, Al Tuwaijri é também corredor, contando no seu currículo com uma conclusão do UTMB.

Na véspera do arranque do Ultra Gobi 2026, após um treino matinal nos arredores de Dunhuang, Nezar Al Tuwaijri falou sobre os desafios de desenhar o percurso em AlUla, a evolução da corrida na Arábia Saudita e a ambição de proporcionar uma experiência inesquecível num dos cenários naturais e históricos mais impressionantes do Médio Oriente.

“É um evento seguro, onde cuidamos de todos”, afirma, numa frase que resume a principal prioridade da organização para esta estreia fora da China.

A Trail-Running.pt, media partner do Ultra Gobi desde 2025, acompanhará de perto este novo capítulo do evento e marcará presença na edição inaugural do Ultra Gobi AlUla, agendada para janeiro de 2027.

A Ultra Gobi AlUla marcará o regresso da prova de 400 quilómetros. Vai participar?

Não, infelizmente não. Em AlUla vou estar a trabalhar. Atualmente já não participo em muitas competições, apenas ocasionalmente, como na corrida por etapas da Ultra Gobi.

Como surgiu o contacto com a organização da Ultra Gobi?

Penso que encontraram a Race Arabia online. Estavam à procura de um destino na região do Médio Oriente e contactaram-nos para conhecer melhor as nossas provas e a nossa experiência. Depois ajudámos a estabelecer a ligação com a Royal Commission for AlUla.

Quão difícil foi desenhar o percurso?

Em conjunto com o comité da Ultra Gobi, o verdadeiro desafio não foi encontrar boas infraestruturas. O percurso atravessa paisagens majestosas, passando por enormes formações de arenito esculpidas ao longo de séculos e milénios pela ação do vento e da chuva. É algo que dificilmente se encontra noutro lugar do mundo.

Além disso, AlUla inclui a zona classificada de Hegra, Património Mundial da UNESCO, e existem áreas ainda não escavadas arqueologicamente, que beneficiam de elevados níveis de proteção. Tivemos de coordenar o trabalho com várias entidades. Felizmente, não utilizamos equipamento pesado nestes locais. Os corredores apenas atravessam estas zonas e temos um enorme cuidado em preservar tudo.

Um percurso tão cénico poderá atrair mais corredores.

Inicialmente estávamos a analisar uma área diferente, mais montanhosa. No entanto, esta região é extremamente rica em história e sentimos que o percurso atual recria, de certa forma, a experiência da Gobi através das paisagens de AlUla.

Se isso vai atrair mais participantes, não posso dizer, porque não somos responsáveis pelo marketing do evento. Mas acredito que o formato associado à escola de negócios e aos eventos corporativos continuará a ser uma das principais apostas.

A corrida de 400 quilómetros foi concebida para atletas de elite de todo o mundo.

Sim. Haverá um limite máximo de 50 participantes nessa distância e todos terão de comprovar que concluíram uma prova de cerca de 100 milhas dentro de determinados critérios de qualificação durante o ano anterior à Ultra Gobi AlUla.

Como está a evoluir a comunidade de corrida na Arábia Saudita?

Cresceu imenso nos últimos dez anos. Antigamente, as pessoas olhavam para nós de forma estranha quando nos viam correr na rua. Isso mudou completamente.

Também estamos a recuperar terreno em termos de eventos. Durante muito tempo, as competições desportivas eram fortemente subsidiadas e as pessoas encaravam o desporto como um direito adquirido, e não como algo pelo qual se paga. Agora estamos a assistir a uma mudança. Os participantes começam a perceber que uma prova especial tem um custo associado.

Uma prova sustentável também pode ajudar a melhorar a imagem da Arábia Saudita no exterior. Essa foi uma das intenções por detrás da Ultra Gobi AlUla?

Pode ser um efeito secundário mostrar ao mundo uma imagem diferente da Arábia Saudita, mas nunca foi essa a intenção principal.

Entrei na organização de eventos desportivos porque gosto de atividade física. Experimentei dezenas de modalidades diferentes e sempre procurei um sentido de comunidade. Quando comecei a correr, fazia-o com amigos. Um dia convidámos uma pessoa que víamos correr frequentemente para se juntar ao grupo e, a partir daí, nasceu um clube. Tudo se desenvolveu de forma muito natural.

O que quero dizer é que a organização de eventos surgiu organicamente e não como resultado de um plano de negócios.

Ainda assim, alguns críticos poderão acusá-lo de “sportswashing”.

Tenho a certeza de que algumas pessoas pensam dessa forma. Mas, no final do dia, não conseguimos controlar aquilo que os outros pensam. Nós sabemos porque fazemos isto.

E porquê?

Por muitas razões: comunidade, saúde, entretenimento, economia, turismo e muito mais.

Temos simplesmente de continuar o caminho que estamos a seguir. Passámos de um país praticamente sem visitantes, para além das peregrinações a Meca, para uma realidade completamente diferente. Não existia turismo como existe hoje. E essa transformação aconteceu ao longo dos últimos dez anos.

O que tem de acontecer para considerar a Ultra Gobi AlUla um sucesso?

Quando as pessoas chegam, mesmo que em número reduzido, desfrutam da experiência e regressam a casa em segurança.

É um evento seguro, onde cuidamos de todos. Naturalmente, seria fantástico receber muitos participantes, mas isso é secundário. O mais importante é que todos tenham uma grande experiência e que estejam seguros do início ao fim.

Fotos: Ultra Gobi