Golden Trail World Champ: Mário Leal em entrevista

Autor: Sílvia Gomes    Data: 30-07-2020
Publicado em: Entrevista

Os Açores têm-se afirmado como um paraíso para os amantes dos trilhos. Muito deste estatuto tem sido obtido pelo trabalho da Azores Trail Run, organização escolhida para acolher a inédita grande final das Golden Trail World Series. O Golden Trail World Champ vai realizar-se, nas ilhas do Faial e do Pico, de 29 de outubro a 1 de novembro.

A Trail-Running.pt esteve à conversa com Mário Leal, representante da organização bem como membro da ITRA.

Mário, como surgiu esta oportunidade de realizar o Golden Trail World Champ no Açores?

Devido à pandemia, foram e continuam a ser cancelados eventos por todo o mundo, nomeadamente os eventos deste circuito que é associado à marca Salomon mas que é um circuito aberto a todas as marcas e a todos os atletas. Aliás, até tem, como um dos objetivos, a descoberta de novos talentos, novos atletas que vão aparecendo. Já há já casos de atletas que fizeram boas classificações em provas deste circuito e que depois a Salomon os procura. Este ano, contudo, devido à pandemia, não foi possível decorrer dentro dos parâmetros normais. Assim, como os Açores iam receber a final do Golden Trail National Series, a determinada altura, a Salomon contactou para saber se estaríamos disponíveis para receber um evento diferente cá, nos Açores e eu disse que sim. Chegamos, passado algum tempo, a este modelo de juntar, durante 4 dias, os melhores atletas do mundo e quem quiser participar.

Sabemos que há vários prémios…

Isto é quase como se fossem uns Jogos Olímpicos mas em que só há a modalidade de trail, durante 4 dias, em que as pessoas vão andar a disputar vários prémios pois há a vitória da etapa, a vitória geral e, dentro de cada etapa, há quem faz o melhor sprint, a melhor subida (up hill) e a melhor descida (down hill). Em cada dia haverá 4 prémios por género. Tudo isto envolve prémios monetários para cada uma destas categorias.

Como está a ser organizar um evento desta magnitude?

Este evento é um evento complexo de organizar. Com a questão do Covid torna-se tudo muito complicado. Neste momento nem sabemos se o vamos conseguir organizar. Depois toda a logística de encontrar as condições para que haja condições no terreno… esta ilha também é pequena, vamos tentar que seja o mais diversificado possível. Depois toda a gestão, durante estes dias, vamos receber mais de 30 jornalistas de 20 países, vai haver transmissão direta televisiva, vai haver transmissão direta para as redes sociais, temos de perceber também toda a logística de transportes, abastecimentos (se haverá, se não haverá, como é que vão ser porque isto é uma prova que realmente é muito competitiva, não há tempo para demoras, é sempre a abrir) como é que os vamos transportar, o distanciamento, se os vamos isolar, como estarão as autoridades de saúde a lidar com isto à data de realização do evento, mesmo ao nível do acesso aos Açores. Neste momento há a possibilidade de os atletas virem com o exame feito ou fazer o exame quando chegarem, mas ao fim de 5 dias têm que o fazer novamente.

Quais as medidas extraordinárias tomadas devido à pandemia?

Uma das situações que está em cima da mesa é tentar, de certo modo, isolar os atletas, ou seja, uma vez que eles já estão em contacto uns com os outros, tentar condicioná-los a uma unidade hoteleira. Aqui nos Açores está a haver um controlo muito apertado das entradas. As medidas serão aquelas que já estão agora implementadas, como o distanciamento, máscaras, desinfetar as mãos, em princípio não haverá o secretariado normal, não haverá brindes.

Eu, enquanto organizador, representante dos organizadores, membro da ITRA, não sou a favor do equipamento obrigatório, cada um tem que saber de si. É mais um contacto com os atletas que seria desnecessário. Podemos, por uma questão de fair play, no final da prova, aos vencedores, verificar o material. Agora de forma massiva, geral, penso que não vale a pena. Estamos ainda a ver o que a Direção Geral da Saúde nos irá impor e vamos cumprir. Nós temos já autorização para realizar o evento.

Na tua opinião, qual a importância para o país e, em especial, para os Açores da realização deste evento?

Este evento é muito importante, não só para nós que o vamos receber mas para a imagem do nosso país enquanto organizador. Portugal tem recebido muitos prémios a nível de turismo, temos demonstrado capacidade de realizar uma série de eventos. Somos um país que tem tido vontade, embora a pandemia tenha vindo dar cabo disto tudo mas acho que vamos conseguir recuperar, somos um país que sabe receber, temos boas condições.

Quando surgiu esta intenção da Salomon de fazer connosco um evento desta magnitude, foi um orgulho não só para nós mas para todos aqueles que estão ligados a estas modalidades, demonstra confiança, este evento podia ser realizado em França onde estão sediados para não terem que se deslocar muito ou noutro local qualquer mas eles procuraram-nos, a marca vai investir muito neste evento tal como nós, mas o investimento deles é muito maior, vão trazer mais de 100 atletas do mundo todo. E é uma forma também de tentar salvar o ano. Mesmo que o evento não se realize, neste momento, já estamos a ser promovidos nas redes sociais da Salomon, no site, entre outros.

Qual o número de atletas esperado?

A nível de números, será um evento, quando comparado com outros, modesto. Eu gostava que conseguíssemos ter à volta de 250 atletas. Se houver algum condicionalismo á realização do evento, o que vamos tentar fazer é, pelo menos, fazer o evento com os atletas que têm os golden tickets. Se for possível abrir, vamos então fazer a lotaria que eu esperava ter uma maior procura, mas estamos uma situação particular com o Covid e parece-me que algumas pessoas pensam que o evento é fechado a atletas Salomon ou atletas de elite, quando não é assim. Qualquer pessoa pode participar. Temos 400 pré-inscritos de 54 países já. É bom.

Fotos: DR

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