Em todos os artigos que faço sobre as provas em que participo tento fazer uma descrição factual do percurso, organização, etc… e depois um relato da minha própria prova. Não participo em muitas, tenho escolhido cada vez mais e aponto quase sempre para aquelas que à partida são a meu gosto. Esta é daquelas organizações que arregaçam as mangas. É impressionante a quantidade de trilhos abertos, num percurso que será à volta de 90% em single track. Impressionante também foi a quantidade de bombeiros presentes no, às vezes, muito técnico e propenso a quedas, percurso. Foi provavelmente a prova onde vi mais bombeiros.
Os 4 abastecimentos para 34km são suficientes e bem distribuídos, havia voluntários em todas as travessias de estrada e as marcações estavam perfeitas, não deixando a menor margem de dúvida. A logística de levantamento de dorsais está bem oleada e a estrutura de apoio na meta é impressionante. Não posso falar do almoço servido, mas já me disseram que estava muito bom e sem tempo de espera.
O kit entregue com o dorsal era excelente, com uma tshirt da 42k, uma pala preta e um par de luvas que me vai dar um jeitão! No final deixou de haver água quente no local destinado inicialmente ao banhos mas rapidamente a organização montou um sistema muito eficaz e rápido para transportar os atletas para um novo local onde, aí sim, a água estava muito quente.
Os factos dizem que foi uma prova impecável, sem falhas, e foi mesmo! Mas este é um blog pessoal e, como tal, agora vou deixar a minha impressão pessoal do Trail de Poiares:
Nunca utilizei tanto as mãos numa prova. Também nunca caí tantas vezes. Foram raros os momentos a direito e muito frequentes as descidas em que não se podia pensar em muito mais além de não cair. Não demorou muito até ter a impressão que não estava a sair do mesmo sítio. Subíamos sofregamente uma encosta apenas para uns metros depois voltar a enfiar-nos no meio das árvores para descer novamente a mesma encosta e voltar ao rio uns metros abaixo.
Os trilhos, muitos claramente abertos com muito esforço e de propósito para a prova, por vezes pareciam não fazer muito sentido. Andávamos muitas vezes de lado nas encostas, a serpentear por troncos e mais troncos, agarrados a cordas, pedras e raízes. As descidas e subidas curtas eram uma constante, uma autêntica máquina de lavar roupa ligada na centrifugação.
Foi uma prova muito dura. Surpreendentemente dura! Pelo percurso e pelo tempo, obviamente alheio à organização. Sofri muito mais do que esperava e, na verdade, vi-me à rasca para terminar! Acabei os últimos quilómetros saturado, farto de ali andar. Comecei a perder a concentração e caí algumas vezes, uma ou duas até foram quedas feias. Parecia que fazia a mesma descida e a mesma subida repetidamente, a certa altura fiquei com a sensação que passei o percurso inteiro a entrar e a sair de buracos!O prémio finisher era um íman para o frigorífico. Eu gostei!
Não gostei do percurso. É a minha opinião, não quer dizer que seja um mau percurso. Aliás, no final, ouvi muita gente maravilhada com o que tinha vivido. Ainda bem que é assim e que há provas para todos os gostos, esta simplesmente não era para mim.