Diário do Columbus Trail

Autor: Alexandra Simão    Data: 30-01-2020
Publicado em: Eventos, Opinião

A Trail-Running.pt que, em 2016, testemunhou a edição inaugural do Columbus Trail, regressou agora a Santa Maria. A representação da plataforma está a cargo da Alexandra Simão, colaboradora apaixonada pelos Açores, que participará na Columbus Marathon 42K.

Sábado, dia 1 de fevereiro, realiza-se a quinta edição do Columbus Trail, evento de trail running com a chancela Azores Trail Run,  que evoca a passagem do navegador Cristóvão Colombo por esta ilha. A Alexandra inicia hoje a publicação do seu diário.

DIA 1 (quinta-feira)

4h45 – O despertador toca. Estaria a começar mais um dia, mas que dia especial este! Iria viajar, uma vez mais, até aos Açores.

7h30  – Chego a Lisboa. Estou preparada para embarcar em mais uma aventura pelas bonitas ilhas dos Açores, neste caso, a Ilha de Santa Maria. Levo uma mala com muitos sonhos e espaço para poder preencher com aquilo que de lá vou trazer!

Está na hora de embarcar.

11h00 – Aterrei em Santa Maria. Tempo instável mas com uma temperatura invejável para aqueles que gostam realmente de correr. A humidade sentida parecia chuva, mas não. Era exactamente assim. Estava tudo como devia estar.

 13h00 – Deixei a mala no hotel. Arrumei tudo aquilo que era necessário. A roupa destinada à prova já está separada!Almocei num simpático restaurante, Os Marienses. Que agradável!

15h00 – Passeei por Vila do Porto. Sossegada, silenciosa e bonita. Tudo aquilo que é preciso quando decidimos viajar sozinhos.

É tempo de preparar o dia de amanhã: um dia especial. Realmente especial. O dia do meu aniversário.

DIA 2 (sexta-feira)

É dia de aniversário. Talvez o primeiro que passo fora da zona de conforto: a minha casa e os meus.

Acordei cedo. Estarmos num lugar diferente faz-me crer que o tempo passado a dormir é tempo que podemos aproveitar para conhecer: o tempo vai passando.

Tomei o meu habitual pequeno almoço. Com toda a calma necessária para aproveitar o melhor dia do ano: os meus 26 anos.

Decidi que hoje iria alugar um carro. Queria conhecer mais. Queria aventurar-me mais ainda e conhecer, o máximo possível, a ilha. E assim foi!

A manhã ficou marcada por uma verdadeira aventura: carro atascado! Pois bem, difícil. Mal eu saberia o que fazer quando isto acontece. E caiu-me um anjinho do céu: a Ana e o namorado que me apoiaram nesta árdua tarefa de “arrancar” o carro daquele banho de lama.

Prossegui!
Vi sítios de encher a alma, o coração e os olhos. Daqueles que só imaginamos do outro lado do mundo, sabem? E mesmo assim ficamos sempre na dúvida se existem. Mas existem e aqui tão perto!

Almocei no restaurante “A Travessa”. Um sítio muito simpático, agradável e de muito boa qualidade! Sabem quando dizem que as carnes das vacas felizes são boas? São ainda melhores.

19h30, vamos ao Briefing. Ouvir com atenção para que amanhã tudo corra como planeado. Não há como não aproveitar as paisagens bonitas que vi hoje (e que amanhã, com toda a certeza, voltarei a ver!).

Segue-se o meu jantar de aniversário. Vou fazê-lo com amigos e amigas que conheci nos trilhos, não é fantástico?

Tudo diferente. O sítio, as pessoas.
As emoções, essas, são sempre únicas.

DIA 3 (sábado)

5h45 – O dia começou cedo. Preparava-me agora para percorrer os bonitos trilhos da Ilha de Santa Maria.

Coloquei o dorsal como quem diz “É agora!”.

Deslocámo-nos de autocarro até São Lourenço, uma praia de encher o nosso coração e de nos deixar sem qualquer palavra para a descrever. Se vos disser que todas as fotografias que tirei não fazem jus à beleza daquele lugar? Não.

Partimos. Parti com a certeza de que queria trazer o coração o mais preenchido possível. E não fosse essa a minha maior alegria!

Um percurso marcado pela lama, pela chuva mas pelo quente característico da ilha. E não fosse ela chamada de “Ilha do sol”.

Prosseguimos! Eu, a Carla e a Márcia. Percorremos o percurso sempre juntas. Posso-vos dizer que foi uma verdadeira animação! Conversámos, rimos, brincámos.

Parámos em todos os abastecimentos para conversar. As pessoas, essas incansáveis, sempre de sorriso no rosto. Voluntários e bombeiros.

Estávamos prestes a chegar à meta. A tão esperada meta depois de quase 46 km de alegria e satisfação! Satisfação maior foi quando nos aproximámos da Vila, em que o corpo e as pernas correspondem na sua totalidade. Vamos em frente!

Demos um abraço sentido. Estou-lhes agradecida por me terem proporcionado momentos de me deixar emocionada. Obrigada!

Agora, é tempo de descanso.
Não há nada como sentir o dever cumprido. E bem.

DIA 4 (domingo)

Domingo.
É dia de regressar a casa.

Comigo levo uma mala repleta de boas sensações, de bons momentos e de boas pessoas. Que boas pessoas estas que conhecemos nas ilhas! Quando apelidarem alguém de genuíno, conheçam primeiro alguém das ilhas. Garanto-vos que é o verdadeiro significado.

Na mala não coube mais nada. Trouxe tudo aquilo que quis, consegui e pude. Trago a mala e o coração (ainda mais) cheio. Ir às ilhas tem este poder sobre nós: leva-nos a acreditar que somos capazes de rechear mais a nossa bagagem, sem que esses acrescentos sejam mais banalidades do dia-a-dia. Algo novo, sabem? Algo que nos vem a preencher. Mais ainda!

É dia de regresso. Dia de matar saudades, mas também dia de deixar o coração apertado pelas pessoas com quem partilhei tantas e tantas conversas. Daquelas que nos fazem crer que a vida é muito mais do que simplesmente a contarmos pelo relógio.

Os Açores têm este poder incrível: de nos trazer de volta a nós mesmos. Meses depois, esse trabalho voltou a ser feito. E bem.

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