Voluntários – o “exército” responsável por grande parte do sucesso do MIUT

Autor: Redação    Data: 7-05-2018
Publicado em: Eventos

A 10.ª edição do Madeira Island Ultra Trail, evento que inclui a única prova portuguesa do circuito mundial do UTWT (Ultra Trail World Tour), contou com a participação de 2 500 atletas oriundos de 55 países. De forma a corresponder às exigências de um evento desportivo desta dimensão, existe um verdadeiro “exército” que assegura as mais variadas tarefas.

Para quem participou no MIUT, os voluntários estavam presentes em todos os momentos desta inesquecível experiência. 800 voluntários estiveram mobilizados desde quarta-feira, dia 25, até domingo, dia 28 de abril.

Quando se fala do grande sucesso do MIUT,  é obrigatório falar também do trabalho desenvolvido pelas centenas de voluntários. O director do evento, Sidónio Freitas, não se cansa de os elogiar nas suas intervenções, os atletas de elite enaltecem-nos nos seus testemunhos,  os anónimos que desafiam os trilhos das 4 provas louvam a sua atenção e disponibilidade e os jornalistas consideram-nos uma peça-chave da grande “máquina” do MIUT.

A face mais visível deste “exército” está patente desde o check-in dos atletas, aos postos de abastecimento e controlo de segurança. No entanto, o trabalho dos voluntários começa muitos meses antes do evento, em tarefas como a limpeza dos trilhos.

O sistema de controlo dos atletas, apoiado pela Universidade da Madeira (UMa) no âmbito de um protocolo com o Clube Montanha do Funchal, organizador do MIUT, foi desenvolvido por alunos de mestrado e licenciatura da UMa. A instituição de ensino superior madeirense colabora na formação dos utilizadores encarregues da recolha dos tempos das passagens dos atletas, entre outras tarefas de verificação e controlo.

Este numero “exército”, orgulhosamente “fardado” com a camisola do MIUT, obriga a uma logística dentro da logística do MIUT. Há que assegurar transporte, alimentação e seguro para os voluntários.

Talvez por haver tanta comida e simpatia dos voluntários, eu acabava por perder muito tempo nesses postos de controlo e abastecimentos – Carlos Rocha na sua crónica sobre a participação na edição de 2011

Os postos de abastecimento e controlo fazem parte das memórias de todos aqueles que desafiam os trilhos do MIUT. São nestes locais que os atletas recuperam as forças e a motivação. A maior parte das desistências também se verifica nos postos de abastecimento, onde a desilusão e a tristeza, que a incapacidade de prosseguir na prova geram, são “combatidas” com recurso a bebidas quentes, ao calor da lareira do Pico Ruivo e às palavras amigas dos voluntários.

Cada posto de abastecimento tem um chefe de posto que gere a sua equipa, participa na escolha dos voluntários e faz a ligação com a organização. Estas equipas não apresentam grandes alterações na sua constituição, havendo mesmo membros desde a primeira edição, o que resulta numa grande articulação e eficácia no seu desempenho.

No Pico Ruivo, a chefe do posto, Marlene Pereira, acumula sete anos neste icónico local. A subida do Curral das Freiras ao Pico Ruivo é uma das etapas mais penosas para os participantes na MIUT (115k) e ULTRA (85k), pelo que os atletas chegam ao posto exaustos. A casa abrigo surge do nada, como um oásis, providenciando bebidas quentes e alimentos, bem como calorosos abraços e uma irresistível lareira.

Segundo Marlene Pereira, há atletas já habitués que reconhecem os voluntários e são reconhecidos. Deixam recados, perguntam por amigos, contam histórias e fazem parte das histórias do posto e dos seus voluntários.
Quem termina a sua aventura na casa abrigo, por não cumprir a barreira horária ou por desistência, é acompanhado por voluntários até ao transporte. Como este posto não  tem acesso directo por carro, é necessário percorrer 2,2 quilómetros até à Achada do Teixeira. Este percurso, insignificante para os bravos que ousam desafiar as montanhas da Madeira, pode tornar-se bem difícil quando se está debilitado.

Quem consegue chegar ao topo da ilha merece a glória da meta – Marlene Pereira, Chefe do Posto do Pico Ruivo

Após o encerramento do posto, os últimos atletas que lá se encontravam foram “escoltados” por toda a equipa até ao autocarro. Quando já todos se tentavam aquecer dentro do veículo, a chefe do posto entrou e fez um pequeno discurso.  Marlene Pereira agradeceu a todos pela participação, incentivou a tentarem até conseguirem e garantiu oferecer  motivação no próximo ano.
Este é um posto especial, tudo o que lá estava foi levado “às costas” por voluntários do MIUT. No fim de semana seguinte, a equipa regressou para a recolha dos artigos que restaram e assegurar a limpeza.

A organização vai ainda realizar vários inquéritos, que visam apurar falhas e aspectos a melhorar nas próximas edições.

Este Domingo, realizou-se o almoço convívio, momento alto de reunião das centenas de voluntários que tornam o  MIUT inesquecível. A família MIUT (já com o dever cumprido) partilhou as histórias desta edição e começou a sonhar com a próxima.

Quando ainda estiverem a sonhar com as inscrições, já uma grande equipa estará a construir o MIUT 2019.

Fotos: DR