Rota Donatello – um atleta em quarentena (entrevista)

Autor: Redação    Data: 12-04-2020
Publicado em: Entrevista

Rota Donatello, 34 anos. treinador profissional e corredor de montanha italiano, não é um desconhecido em Portugal. Atleta da marca francesa Raidlight, apoiado desde 2017 pela Prozis, já marcou presença em eventos nacionais de referência como o MIUT e o Louzantrail. Neste momento está confinado à sua casa, em San Pellegrino Terme, uma pequena vila no norte de Bergamo, um dos lugares mais “castigados” pelo coronavírus.

Entrevistado pela Trail-running.pt, o atleta italiano confessou-se apaixonado por Portugal. “Penso que os italianos e portugueses são realmente parecidos”, salienta Rota. Tem amigos na Prozis, onde destaca o André Rodrigues, com quem quer organizar um trail camp, assim que este pesadelo termine.

Rota contava disputar os 43 km da Ultra do Louzantrail, prova para a qual treinou muito, tendo a vitória como objectivo.  Embora os vôos de Itália ainda fossem permitidos, no dia 5 de Março não compareceu no aeroporto. O coronavírus já estava na sua vila, avisou a organização e ficou em casa. Sente que tomou a atitude mais responsável. Quatro dias depois, o governo encerraria as ligações aéreas.
Em San Pellegrino, no mês de Março, o coronavírus vitimou 60 pessoas. A vila conta com 5.000 habitantes. Foram cerca de 4 semanas muito difíceis com o hospital cheio e a cada meia hora ouvia-se uma ambulância.

São muitas semanas sem a possibilidade de correr ao ar livre.  Felizmente, a situação melhora dia a dia. “Na última semana, na minha vila, faleceram apenas duas pessoas. Até 3 de Maio, temos de permanecer em casa.”, afirma Rota de forma esperançosa.

Rota está preocupado com a situação económica, por si e por todos os italianos. Existem duas Europas, a nossa – o sul –  e o norte. Temos de nos unir, precisamos de ajuda, temos de afirmar que a UE é realmente uma só. Creio que a Itália, Espanha e Portugal têm que protagonizar uma frente unida para combater a má ideia que as nações do norte da Europa têm de nós.”, afirma convictamente.Nas últimas três semanas, Rota tem praticado muito ciclismo indoor, cerca de duas horas de manhã e de tarde. Para manter a mente ocupada, ocupa-se também com vídeos de inglês e espanhol, idiomas que quer aperfeiçoar.

O futuro próximo é ainda algo incerto. Rota tinha provas em Portugal, Áustria, Croácia e França. Ainda está em aberto a participação no Euráfrica. Mas, para o atleta, o mais importante agora é a família, que felizmente se encontra bem e a recuperação de alguns amigos ainda hospitalizados.

Aos amigos portugueses, Rota quer transmitir a sua solidariedade e mensagem de confiança. O atleta sabe o que é estar confinado à sua casa, mas esta é a única solução.

Fotos:DR/Redes sociais do atleta

 

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