Arouca estreia em Outubro o trail que põe à prova os limites do possível

Autor: Redação    Data: 27-08-2020
Publicado em: Eventos, Notícias

50 audazes atletas enfrentarão uma prova com mais de 100km em plena Serra da Freita, mas só os verdadeiramente corajosos chegarão ao final das 5 Voltas do Impossível, uma prova inspirada nas histórias reais de milhares de mineiros – os “Pilhas” – que protagonizaram a corrida ao Volfrâmio durante a Grande Guerra.

Apesar do seu carácter intimidante, a 1.ª edição do Trail Running “As Voltas do Impossível”, adiada para 3 de Outubro deste ano na sequência da pandemia de COVID-19, já conquistou largas dezenas de atletas nacionais e até estrangeiros que, movidos pela vontade de testar os seus limites, preencheram as vagas disponibilizadas para a prova em poucas semanas. A natureza individual da competição e o cenário onde decorre, fazem com que estejam garantidas todas as condições de segurança necessárias à sua realização.

VOLTAS DO IMPOSSÍVEL: UMA CORRIDA ENTRE O PASSADO E O PRESENTE

José Moutinho, o “Pai do Trail Nacional”, importou o conceito desta prova das afamadas Maratonas de Berkeley – conhecidas pela sua dificuldade tão elevada que apenas poucos atletas são capazes de as concluir – e criou o enredo que repesca as duras memórias dos “Pilhas”, os mineiros que, nos inícios da década de 40, iam à caça do Volfrâmio nas imediações da Serra da Freita. Esta era, à data, palco privilegiado para a exploração deste metal essencial para o fabrico de armas durante a Grande Guerra e em Outubro deste ano será cenário de um percurso de Trail que honra, simbolicamente, essa realidade histórica.

Narrativas como as de José Pinto fazem parte da identidade da região e são a pedra basilar desta iniciativa, que pretende não só desafiar os limites físicos e emocionais dos atletas, mas também sensibilizar para um contexto histórico de grande relevo nacional.

“Cheguei a andar semanas fora de casa (…) a serrar madeira. (…) Com os racionamentos que havia durante a guerra, muitas vezes, comia-se só pão e feijões (…) Foram anos de trabalho duro!”, José Pinto

Uma “Carta de Condolências” para cada participante, que deverá fazer-se acompanhar de uma cerveja artesanal e uma matrícula de automóvel; o aviso de partida que será dado pelo toque de uma corneta e o começo da prova sinalizado pelo acender de uma lanterna de petróleo, são apenas alguns dos exemplos dos muitos detalhes simbólicos que permeiam esta prova e que recapitulam o seu contexto. Durante o percurso, os atletas recolherão Guias de Transporte – utilizadas então para transportar Volfrâmio – e aos desistentes, será feita uma homenagem com a célebre melodia “Taps”.

As 15 horas de prova terão de ser suficientes para completar as 5 voltas, cada uma com uma extensão de cerca de 21kms, percorridos apenas com recurso a material indispensável e obrigatório – um apito, uma manta térmica, um telemóvel e um relógio com GPS. À semelhança dos mineiros, os atletas apenas terão apoio alimentar ou material na base de partida.

Se, ainda assim, desafiando todas estas limitações, conseguirem terminar o percurso, os atletas verão a sua bravura gravada para todo o sempre numa rocha de Xisto gigante em Rio de Frades.

UM DESAFIO PARA OS 50 MAIS BRAVOS

Os 50 atletas das Voltas do Impossível foram seleccionados através de um processo de candidatura, onde não só tiveram de expor as razões pelas quais se candidataram à prova, como também enviar o currículo, no qual teria de constar, no mínimo, uma prova superior ou igual a 100kms.

Isso não parece ser problema para os seleccionados, cujos extensos currículos revelam aventuras radicais com mais do dobro dos quilómetros de admissão, como é o caso de Jorge Serrazina, 64 anos, com um percurso acima dos 300kms e passagem por países como Espanha, França e Itália; e Simone Gfeller, 48 anos e de nacionalidade Suíça, com primeiro lugar no pódio em provas Dinamarquesas, Espanholas e Alemãs.

Mário Elson Fonseca, 39 anos, soma 767 provas feitas ao longo de 30 anos, e garante que “(…) a incerteza e a inquietude que as Voltas do Impossível me estão a causar, só se comparam ao nervoso miudinho que senti nas primeiras provas da minha vida.”

A história de Augusto Pinto Oliveira, 47 anos, é também digna de nota: após um grave acidente que o colocou em coma durante mais de 1 mês, as perspectivas médicas de retomar a prática desportiva eram praticamente nulas, o que não o demoveu de continuar a superar-se até somar conquistas de relevo a nível nacional e internacional na área do Trail.

“Enquanto eu acreditar, eu consigo. Este é o meu lema, é nisto que eu acredito, e ainda estou à espera de alguém que crie um desafio que eu considere IMPOSSÍVEL”, Augusto Pinto Oliveira

UM TRAIL IMPOSSÍVEL, MAS SEGURO E DESLUMBRANTE

Inicialmente agendado para 23 de Maio, o Trail das Voltas do Impossível fez alguns ajustes para garantir o cumprimento das medidas de segurança necessárias face ao contexto actual: o adiamento da prova para Outubro, a decisão de reduzir o número de atletas para 50, a separação da partida em 2 grupos e com obrigatoriedade do uso de máscara no momento inicial da prova, são algumas das medidas de segurança, às quais acresce a própria natureza individual da competição e o cenário amplo e ao ar livre que permite o distanciamento social necessário.

Embora impossível (segundo consta) o Trail, garante a organização, não coloca em causa a segurança nem dos atletas, nem da população da região. Além de seguro, o percurso é ainda dotado de uma riqueza incalculável na sua biodiversidade, passando por trilhos e zonas de uma beleza natural verdadeiramente arrebatadora que não esconde, porém, a dureza e dificuldade de uma prova que não é para qualquer um.

Alguns encontrarão o que procuram, outros não…
O momento de trocar As Voltas ao Impossível, chegou.

Foto: DR

X