Hélio Fumo congregou 18 toneladas de alimentos com a iniciativa “Alimenta esta Corrida”

Autor: Sílvia Gomes    Data: 16-06-2020
Publicado em: Eventos, Notícias

No passado dia 6 de junho decorreu uma iniciativa do conhecido atleta Hélio Fumo: “Alimenta esta corrida” que juntou corredores em todo o país. O resultado final foi a angariação de 18 toneladas de bens alimentares, que chegaram a 79 instituições e 89 famílias, para grande satisfação do atleta.

A Trail-running.pt, que também se associou a esta iniciativa, esteve à conversa com o atleta

Como surgiu a ideia desta iniciativa: “Alimenta esta Corrida”?
A ideia surge como ampliação de um evento que eu costumo fazer duas vezes por ano que é uma angariação de bens alimentares para a Paróquia local. Este ano falei com alguns amigos para que o pudessem fazer como eu faço mas junto da comunidade deles e de instituições que já ajudavam ou que sabem que estavam em dificuldade.

Como foi colocar a ideia em prática?
Foi muito complicado. Tivemos que fazer tudo por telefone e por mensagem. As pessoas tinham cada uma a sua vida e andava toda a gente muito ocupada porque a pandemia trouxe uma série de outros problemas para lidar, os filhos em telescola e não era muito fácil interagir entre eles, entre os grupos. Contudo, havia muita boa vontade entre os participantes e acabou por se tornar tudo muito fácil. Tivemos uma grande ajuda da Marisa Carvalho que conseguiu tratar de toda a burocracia que eu não conseguia.

Imaginavas que teria o êxito que teve?
Não, de longe. Não estava mesmo nada à espera que se propagasse como se propagou. Há, de certeza, muita gente que conhece muitas outras pessoas que estão a passar dificuldades mas, de um modo geral, foi muito bom porque nós conseguimos chegar a mais gente. Foram imensos grupos, imensos embaixadores a quem eu, desde já, agradeço. A minha própria marca, a Compressport disponibilizou-se para oferecer meias aos enfermeiros e pessoal que estava na frente de combate de 4 hospitais.

Qual a totalidade dos bens angariados?
Foram 18 toneladas de bens alimentares.

Mesmo que já o costumes fazer a nível local, o que te moveu a tentar fazer isto a nível nacional?
O que me move é a necessidade de ajudar. A Paróquia que eu ajudo todos os anos foi a mesma que ajudou a minha família durante muitos anos. Portanto, não é nada de astronómico que eu, num treino, consiga juntar 100 pessoas e fazer com que cada uma dessas pessoas traga um bem alimentar, é um princípio. Achei que era meu dever, enquanto puder e enquanto conseguir juntar alguns amigos meus que têm um bocadinho o lado altruísta. Penso que seria mau da minha parte se não o fizesse.

Como tem o atleta Hélio Fumo lidado com a pandemia e todos os limites que esta impôs?
Tenho tentando lidar da maneira mais pacífica. Isto é, tive que aceitar. Muitas das vezes, a forma de conseguirmos planear as coisas… nós não conseguimos prever o futuro por isso, para começar, temos que aceitar a condição. Eu tive que aceitar que não havia provas, que não podia treinar. Depois como tínhamos acabado de ser pais, por precaução, tínhamos e temos de tomar todas as medidas.

Como decorreu o procedimento de entrega dos bens?
Eu defendo a proximidade. Por exemplo, no meu caso, a Paróquia para quem angariei os bens esteve comigo nas 12 horas em que corri e as pessoas iam entregando os bens. No final, simplesmente fechamos a carrinha e levaram os bens alimentares. A Paroquia fará a distribuição através de cabazes pelas famílias que apoia e tenho 100 por cento de certeza que os bens vão para quem realmente precisa.

Gostarias de deixar alguma mensagem quer aos ajudantes quer aos ajudados?
Quero agradecer a todas as pessoas, todos os grupos, todos os embaixadores, desde às individualidades, ao Matias Novo, ao Mário Élson, aos grupos de corrida, à própria ATRP – Associação de Trail Running de Portugal, a todas as pessoas que se deram ao trabalho de divulgar o evento e falar do evento e tornar o evento o que acabou por acontecer e que foi fantástico. Depois, acima de tudo, às famílias que nos permitiram a nós podermos angariar bens alimentares por elas e às próprias instituições que aceitaram, que nos deixaram participar do trabalho que eles já fazem o ano todo, nó não estamos aqui para os substituir, só queremos fazer parte de uma solução e tentar ajudar com o mínimo que conseguíssemos.

E aos colegas de Trail? Uma vez que o desconfinamento já começou mas muito lento e ainda não se sabe muito bem como proceder ou quando voltarão as provas físicas e em que moldes?
Eu continuo a dizer que nós temos uma modalidade que nos permite, mesmo não havendo provas, podemos ter os nossos prazeres e aventuras. A mensagem que eu passo é que as pessoas continuem a ter todos os cuidados que tiveram durante o confinamento e esperar que as coisas melhorem e que a probabilidade de contaminação diminua. Mais tarde ou mais cedo poderemos todos voltar ao trail não para uma segunda vaga mas para continuarmos a fazer o que fazíamos e gostávamos de fazer, estarmos todos juntos. Mas, faz parte de cada grupo, de cada individualidade e dos clubes tentar passar esta mensagem: há um desconfinamento mas a pandemia e o vírus não desapareceram. Há um abrandar da coisa. Portanto era fundamental que todos tivéssemos essa consciência e nos mantivéssemos com o espírito que é típico da corrida que é sermos solidários, sermos conscientes. O trilho não vai desaparecer, se calhar, se isto demorar mais algum tempo vamos chegar lá mais velhos (risos).

Que últimas palavras gostarias de deixar?
Correndo o risco de me tornar repetitivo, do fundo do coração, muito obrigado às pessoas que participaram, principalmente às pessoas que aderiram porque eu acho que é sempre complicado quando um evento feito numa altura super sensível e que evocava questões ainda mais sensíveis e não sendo eu nenhuma estrutura capaz de dar fidedignidade a isto, ou seja, se isto corresse mal, muitos clubes e muitas pessoas ficavam, de certa forma, mal vistas. Imagina que os eventos juntavam muitas pessoas e as pessoas não cumpriam e havia um foco de contaminação, teria sido negligência minha. Felizmente, correu tudo bem e todos entraram mesmo no espírito, tudo com distanciamento, estou totalmente grato ao mundo do trail e, até deixar isto, nunca me vou esquecer deste dia, foi deveras especial.

Fotos: DR; MAPhotoRaw

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