O Resgate

Autor: Eduardo Merino    Data: 19-11-2018
Publicado em: Opinião

Estamos numa era onde a informação é vertiginosa. Somos condicionados desde que nascemos, numa autêntica teia que nos amarra sem nos darmos conta. Esse poder da informação é tutelado por tudo à nossa volta e de forma automática passamos a ser o que os “outros” querem.

Os conflitos surgem, as insatisfações, o mau estar e muitas vezes o desespero. Perdemos o primitivo, a decisão pensada, o fazer sentido, o construir e o experienciar.

Estão criadas as condições ideais para conflitos familiares, problemas no trabalho e instabilidade nas relações.

Perante estes pressupostos entendo que este projecto Dr.Merino/4moove, foi um Resgate de todos nós. À força das palavras sinceras, da partilha, da amizade e principalmente da honra. Fomos ao mais arcaico, ao que nos faz gente, construímos guerreiros e demos-lhe significado: Samurai, Jaguar, Lobo, Keiser, Wild Horse, Super Mario, La culebra, são alguns desses exemplos.

Estava a nascer um exército, com uma armadura emblemática, sublime que propusesse todo o nosso vigor: nasceu a pele do dragão.

Com uma mensagem que elevava a todos as nossas responsabilidades, sentimos aí o poder dos nossos valores: não há desculpas, não estás sozinho, treina, respeita, desafia-te, aprende, desculpa, partilha e aprende.
Entre nós as coisas fluíam ao som dos desafios, do “espetar as facas”, da gargalhada, do “rebenta com eles”, do “Tu és tooolooo”, do organizar as provas, do planear as épocas ou do simples estar porque sim.
A semana passava e as nossas vidas fluíam com um novo vento. Nada mais era como antes…

Os campeonatos nacionais da ATRP, simplesmente se apresentaram como a forma de passar a mensagem ao mundo. Os adversários só nos engrandeceram em aprendizagem, que fez de nós uma marca única na modalidade.
Um resgate potente, que individualmente foi buscar o que em muitos já estava esquecido, e noutros nunca tinha sido experimentado.

Hoje todos nós somos diferentes pessoas. Todos nós já fazemos diferente. Já contagiamos diferente. Já pensamos diferente.

Uma nova era vem aí, onde vamos sentir falta uns dos outros, e sentir falta do que não vamos conseguir explicar. Essa é a “prenda” que será guardada para sempre por todos nós.

Futuro da modalidade?
Que fiquem com o que a nossa equipa deixou bem marcado na modalidade:
– Não confundir quantidade com qualidade ;
– É possível fazer bem com pouco;
– Nunca separem a experiência da competição;
– Não há projectos sem valores e objectivos;
– Ouvir todos é aprendizagem, fazer a todos é o caos.