Sheila Avilés faz pausa para “respirar”

Autor: Redação    Data: 19-08-2020
Publicado em: Notícias

A pandemia de Covid-19 é, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, “a maior crise sanitária global do nosso tempo”. Os eventos desportivos, onde se incluem as mais importantes provas e circuitos de trail running, sofreram cancelamentos. Os atletas viveram meses em confinamento e o futuro próximo das competições  é ainda deveras incerto. Fruto deste cenário, a atleta espanhola Sheila Avilés, decidiu fazer uma pausa até  final do ano.

Sheila Avilés, atleta da equipa Adidas Terrex, dispensa apresentações. Aos 27 anos, a atleta espanhola averba já no seu currículo importantes conquistas, entre as quais, a vitória nas edições de 2017 e 2019 das Migu Run Skyrunning World, campeã de Espanha 2018 em corridas de montanha RFEA e medalha de bronze no Mundial de trail running 2019 , disputado en Miranda do Corvo.

A atleta espanhola viveu um confinamento de cerca de 6 meses. Ainda hoje, a situação na sua zona de residência não se encontra estabilizada.

Sheila Avilés divulgou nas suas redes sociais que decidiu fazer uma pausa: “Num 2020, que me ultrapassou, tanto física como mentalmente, o corpo pede-me para desligar”.

Este é o texto que Sheila Avilés compartilhou no perfil do Instagram:

Faz meses que me sinto vazia, não consigo encontrar-me, sinto que desliguei.

Depois de refletir, perceber que não me estou a divertir, que este ano me superou tanto fisicamente quanto mentalmente, preciso de um TEMPO, o corpo pede-me para desligar.

A situação que estamos a viver superou-me, a frustração de treinar de forma disciplinada, sem flexibilidade, com planos e não poder demonstrar nos objetivos que sempre me motivaram muito. Talvez não seja um ano para competir, mas para aprender e continuar a trabalhar em silêncio, mas sem stress.

Venho de uma lesão e inadvertidamente queria estar recuperada antes do tempo, exigi de mim por pensar que em alguns meses recuperaria a minha forma, o que me frustrou novamente porque percebi que realmente não estava com vontade, que estava a ser conduzida pelas ondas, por “ter / querer mostrar que continuo na linha da frente, entre as melhores”. Mas a realidade é que não estou motivada para competir sem estar a 100%, sem me sentir forte, nem estou motivada pelos famosos desafios que se vendem nas redes, subir e descer montanhas o mais rápido possível, ou fazer 300km num dia, ou participar numa prova porque a possibilidade existe. E NÃO estou motivada pelos desafios criados por OUTROS. E reconheço que muitas vezes não soube dizer NÃO, quis e fiz coisas que não sentia porque sentia que devia estar ali.

Agora quero realizar os meus desafios, aqueles que me motivam, quando me sentir pronta e tiver vontade, não quando “brinco”, ou quando há muitos meios de comunicação. Porque afinal de contas, eu corro porque isso me deixa feliz e é a minha paixão. E continuo a treinar todos os dias porque gosto do que faço, mas preciso respirar alguns meses, fugir do stress, das exigências, dos planos quadrados, reencontrar-me e desfrutar aquilo que mais gosto, correr na montanha, sem olhar para o relógio, sem olhar para o km, sem subir e descer 3.000 vezes para fazer bater recordes de desníveis +.

Quero sentir-me  livre de novo, para recarregar as minhas baterias. Este ano é exaustivo e é uma oportunidade para nós, de nos amarmos mais e de voltarmos fortes em 2021.

Foto: DR

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