INÊS MARQUES em entrevista

Autor: Rita Vicente    Data: 22-01-2021
Publicado na categoria: Entrevista

“Estou rodeada de uma óptima estrutura, que me permite ir mais além no trail

Inês Marques, de 27 anos, é uma atleta excepcional e apaixonada pelo desporto desde tenra idade. Na sua infância, fez de tudo um pouco na área do atletismo, desde lançamento do peso, salto em altura, salto em comprimento, velocidade e corridas de meio-fundo.

A atleta da Salomon Suunto Caravela, que se distingue no mundo do trail running, tem já um palmarés muito rico e é, por isso, considerada uma das melhores corredoras portuguesas. Em 2020, conquistou um brilhante 20º lugar feminino no Golden Trail Championship e renovou, ainda, o título de campeã nacional de trail.

Para saber como foi viver a passada época desportiva, tão instável e desmotivante para muitos, conversámos com a atleta, que não só nos esclarece acerca da sua experiência, como também nos encoraja a não perder o foco e motivação enquanto corredores. Inês Marques conta-nos, ainda, como será o seu 2021.

Em 2020 ingressaste na equipa portuguesa da Salomon. O que nos podes contar sobre o teu primeiro ano como membro da mesma?

Estou rodeada de uma óptima estrutura, que me permite ir mais além no trail, ainda mais agora com a criação da equipa Salomon Suunto Caravela. Os meus colegas são mais do que excelentes atletas, são pessoas conhecedoras da modalidade, com muita experiência e bons companheiros de aventuras.
Mesmo num ano tão insólito, pude desfrutar de grandes momentos em equipa, não só nos Açores como na Lousã. Além disso, não tenho dúvidas de que treino e compito com o melhor equipamento e material do mercado!

Como é que conseguiste manter-te motivada num ano tão atípico?

Acima de tudo, desfruto de todo o processo de treino e não preciso de ter uma competição em vista para me manter focada. Estabeleço os meus próprios objectivos (tais como melhorar a minha flexibilidade ou fazer uma distância num certo tempo, tendo o meu pai como lebre na bicicleta) e tento dar o melhorar de mim, superando-me. O teletrabalho permitiu-me ter mais tempo disponível para treinar, como também para descansar, aumentando os meus níveis de motivação.

Após te teres sagrado bi-campeã nacional em Penacova, tencionas continuar a ter o campeonato nacional de trail como um dos principais objetivos da época?

Será sempre um objectivo, pois é um orgulho enorme vestir a camisola de Campeã Nacional de Trail (mesmo que seja em sentido figurado). Outra opção passa também pelo Campeonato Nacional de Ultra Trail, caso seja exequível em termos de calendário.Depois da tua participação no Golden Trail Championship disputado nos Açores, como é que avalias o actual rendimento dos atletas portugueses a nível internacional?

Os atletas portugueses têm conseguido ser cada vez mais competitivos a nível internacional, o que se reflete em resultados de topo em provas do circuito UTWT, como o UTMB, em provas de elevado nível como a Ultra Pirineu, ou num TOP-10 em Campeonatos do Mundo. Contudo, sinto que ainda há um hiato significativo relativamente aos atletas de elite internacional, evidenciado pelo Golden Trail Championship. Na minha opinião, este deve-se sobretudo à falta de profissionalização dos nossos atletas, o que não nos permite dedicar a 100% (na verdade, nem sequer a 50%) à modalidade.

Em relação a 2021, já fizeste o planeamento da tua temporada? Tens algum objetivo em mente?

O primeiro grande objectivo de 2021 serão os 129 quilómetros da Transgrancanaria, uma distância (e desnível) que impõe respeito! Tendo em conta a evolução da pandemia, espero mesmo que a prova se realize, uma vez que estou a dedicar muito tempo à sua preparação, tentando não descuidar nenhum aspecto – resistência, velocidade, força, mobilidade, nutrição e descanso. Também planeio participar nas Golden Trail National Series, estando ainda a aguardar a divulgação das suas datas.

Sabendo que, para além de seres atleta, tens a tua vida profissional, e que também tiraste um curso superior, que conselhos darias aos jovens atletas que conciliam os estudos com o desporto?

Nunca abandonem os estudos, pois, mesmo que consigam vingar no desporto, a carreira de um atleta é, geralmente, curta. Ter formação poderá ser essencial para uma vida profissional estável após se ‘reformarem’ do desporto de alta competição.
Por outro lado, caso ponderem abandonar o desporto em prol dos estudos, pensem que há sempre tempo para uma corrida e que a prática desportiva regular é essencial para uma vida saudável – “Mente sã em corpo são!”

Fotos: Paulo Nunes

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