Miguel Lopes e Susana Luzir: O rosto e os olhos da Evadict

Autor: Rita Vicente    Data: 21-03-2021
Publicado na categoria: Entrevista

Miguel Lopes, de 40 anos, representa a Decathlon desde 2014 e é, desde 2020, embaixador da marca Evadict. O atleta é conhecido por percorrer distâncias muito longas e, também, pela sua frequente ligação a causas solidárias.

Na maioria das provas, o Miguel Lopes é acompanhado pela fotógrafa oficial da marca Evadict, Susana Luzir, que é apaixonada por desporto e fotografia. Através das imagens que captura, e com o seu estilo irreverente, como é conhecida, Luzir transmite a energia, dinâmica e esperança que capta dos atletas pela interpretação dos seus movimentos.

Em entrevista ao desportista e à fotógrafa, ficámos a conhecer como é pertencer à equipa da Evadict, quais os seus métodos de trabalho, finalidades, e principalmente, a sua forma de estar no desporto. Tivemos, ainda, a possibilidade de ficar a saber mais sobre as tecnicidades da marca, os seus integrantes e o que esperam de 2021.

O que é que significa para ti ser embaixador da Evadict?

Ser embaixador de uma marca que representa o desporto que mais me dá prazer praticar, é sem dúvida um motivo de grande orgulho para mim. O facto de toda a estrutura, nacional e internacional, me darem o apoio e confiança para testar os produtos e dar o feedback dos mesmos, só me motiva para fazer o melhor e ajudar a marca a contribuir para o crescimento do trail running em Portugal.
Este “romance” teve início em 2014, com a Decathlon Portugal, quando o Micael Domingues (líder de trail running) viu em mim, não o melhor, mas sim alguém especial que corre sempre com um sorriso na cara e protagonista de grandes desafios. É isto que resume a filosofia da Decathlon e da Evadict: ter desportistas satisfeitos é a nossa missão.

Qual é o feedback que nos dás em relação à marca Evadict?

A Evadict veio sem dúvida revolucionar o mundo e o mercado do trail running. A qualidade e tecnicidade está presente em todos os produtos que desenvolvem, comprovando que a qualidade nem sempre é sinónimo de preços altos. De todos os produtos, destaco dois: o colete Evadict 5L e as sapatilhas MT Cushion. A leveza, a qualidade e desempenho nos trilhos proporcionam horas de prazer.
O que mais adoro na marca é a importância e relevância que dão ao feedback dos utilizadores e ajustarem os produtos às necessidades dos mesmos, desde o praticante mais iniciante ao atleta de topo.
A Evadict aposta em valores com os quais me identifico, conseguindo aliar a paixão pelos trilhos à melhor performance, e tudo isto com o simples objectivo de tornar o trail running acessível a todos.Como descreves os 400km que fizeste entre Póvoa e Lisboa?

A travessia é difícil de descrever, foi mais fácil sentir. Foi uma aventura que irei guardar para sempre como a grande aventura!
Desafiei os meus medos, levei comigo milhares de pessoas, foi algo que nunca imaginei, mas todos juntos chegámos ao destino, ajudando a instituição Salvador. Se tivermos as pessoas certas do nosso lado, não há nada que nos demova de concretizar os nossos sonhos.

Tendo em conta que atravessamos a pandemia de Covid-19 e que maior parte dos eventos estão a ser cancelados, como é que tens organizado os teus treinos e como é que te automotivas?

Eu nunca necessitei de provas para me motivar. Por incrível que pareça treino mais, não há provas, mas há desafios pessoais e é assim que me automotivo e estou sempre pronto para as aventuras que aí vêm. Mas não havendo provas e com as limitações atuais perdemos um pouco o que o trail nos dá de melhor, a partilha, os amigos e a superação pessoal de chegar ao fim de cada prova.
Como descreverias desportivamente o teu ano 2020?

Apesar de não termos grandes provas considero positivo, pois mesmo tendo colocado bem alta a minha fasquia de desafios,  superei todos os a que me propus.

Tens algum desafio para breve? Se sim, qual?

Estou sempre pronto para desafios e em 2021 não será exceção. Quando fiz os 404km da travessia solidária Póvoa de Varzim/Lisboa, em 71h seguidas, fiquei com muito boas sensações e planeei um sonho que já há muito acalentava – os 738km da mítica Nacional 2.

Conta-nos por onde passam os teus planos de 2021. Qual é o teu principal objetivo esta época?

Os meus planos incluem provas já agendadas, cá em Portugal e lá fora, onde destaco a Lavaredo Ultra Trail (Itália), Ultra Tour du Mont-Blanc (Alpes – França, Itália e Suiça) e 2 provas nos picos da Europa.
Os principais objetivos passam pela Nacional 2 e pelo regresso aos 300 km da ALUT – Algarviana Ultra Trail, onde pretendo repetir o bom desempenho e tentar baixar as 48h de prova.

Susana Luzir é presença habitual nos eventos de trail running e não passa despercebida. O seu estilo irreverente e as suas expressivas imagens são as suas maiores marcas. Mais recentemente,  como fotógrafa oficial da marca Evadict, tem acompanhado (ainda mais de perto) o Miguel Lopes.

Susana, o que é que significa para ti ser a fotógrafa oficial da Evadict em Portugal?

Quando frequentava a Licenciatura em Educação Física e Desporto, a Decathlon era a loja que eu mais visitava e escolhia para comprar o que precisava. Passar de consumidora da prestigiada marca/empresa a fotógrafa oficial da mesma, é um grande orgulho e tenho que agradecer imenso a confiança que está a ser “depositada” em mim.

Como é acompanhar e fotografar o Miguel Lopes?

Quando ele me diz que vai realizar outro desafio, a primeira coisa que me passa pela cabeça é: “lá vou eu levar outra coça” (risos). Eu e o Miguel Lopes somos amigos há vários anos e mantemos contato diário, o que faz com que exista uma cumplicidade e  conhecimento mútuo, tornando tudo o resto mais fácil.
Acompanhá-lo é simples, mas ao mesmo tempo exigente, pois normalmente os desafios para os quais se propõe ou as provas onde participa, são quase sempre muito desafiantes do ponto de vista físico e mental, mas se há caraterística que ele tem e que passa para os outros, é de que simplesmente não se queixa de nada. Prova disso foi o prémio que recebeu em 2020 da IronBrain, “Sports Inspirator of the Year”.

Até que ponto vai a vossa exigência?

O trabalho que fazemos em conjunto e apesar de sermos amigos e nos divertirmos imenso quando vamos fotografar, é sério e exigente. Há uma articulação prévia de todos os pormenores, desde a escolha dos locais, a quantidade de roupa a levar, às cores da roupa, ao calçado, à escolha do horário de acordo com a orientação solar, com a meteorologia, etc… Na hora de publicar as fotos, somos ainda mais exigentes com os conteúdos que escolhemos.

Descreve-nos a finalidade do teu trabalho como fotógrafa da Evadict.

Gostava de começar por dizer que, acima de tudo, a Decathlon Portugal/Evadict não me vê como uma máquina de fazer fotografias, mas sim como um Ser Humano.
A importância da fotografia no trail running tem vindo a crescer, pois é a melhor forma de transmitir todos os sentimentos e sensações vividas em todo o processo de uma prova, independentemente do seu grau de dificuldade. Podemos até afirmar que a fotografia é um elemento crucial para a evolução da prática em Portugal assim como da motivação dos seus atletas (desde o iniciante ao experiente). Tendo isto em conta, a Decathlon Portugal/ Evadict decidiu avançar com esta parceria de forma a promover a continuidade desse crescimento, aliado à evolução da marca e de todos os seus produtos.

Como podes exemplificar essa relação tão humana?

No início das nossas “conversações”, falei abertamente com o Micael Domingues, que é o líder em Portugal do trail running na Decathlon e a pessoa com quem falo sobre o meu trabalho para a empresa/marca, de que eu iria ser submetida a uma intervenção cirúrgica e estaria impossibilitada de fotografar alguns meses e a resposta foi “rara”, no sentido de que isso não representava qualquer problema.
Infelizmente, tenho colegas na mesma situação (e com trabalhos tão bons ou melhores que o meu), que infelizmente viram os seus apoios para outras marcas serem adiados até poderem estar aptos a fotografar.

Quais as dimensões do teu trabalho?

A minha ligação à Decathlon tem como principal propósito transmitir a paixão e o trabalho em prol do trail running que toda a equipa faz diariamente, através do meu olhar. É desafiante e de muita responsabilidade, pois há todo um processo de enorme de pesquisa, estudo, recolha de feedback, desenvolvimento e avaliação de cada produto até chegar às minhas mãos.
É fundamental dar continuidade à criação de conteúdos para uso da empresa/marca, tal como tem sido feito até hoje. A Decathlon Portugal/Evadict está sempre presente nas decisões do antes, durante e depois, mas é-me dada total liberdade para ser criativa e isto é uma particularidade difícil de se encontrar numa empresa hoje em dia – uma verdadeira parceria com uma base sólida de afiliação.
Há também a abertura de ambas as partes para fomentarmos workshops de Fotografia Desportiva nas Lojas Decathlon e estão sempre disponíveis para me ajudar, dentro do que for possível, nos meus outros projetos de fotografia. Tenho ainda a vantagem de poder usar o material da marca para apoio ao meu trabalho e sobretudo estar equipada com a marca Evadict.

Sentes saudades de fotografar provas?

Sim, sinto sobretudo falta das pessoas e de poder percorrer os trilhos em liberdade, respirar ar puro, explorar novos locais e ao mesmo tempo fazer uma das coisas que mais gosto: fotografar.
Tive a sorte de ainda conseguir fotografar 3 provas antes da pandemia nos enviar para casa: TransPeneda Gerês, Penacova e Melgaço.

Quais os tipos de provas que te dão mais gosto de fotografar e porquê?

Questiono-me várias vezes sobre isso, mas ainda não consegui chegar a uma conclusão. Todas têm as suas caraterísticas e exigências, que me levam a gostar de qualquer uma. O que aqui “pesa” na minha escolha entre provas é a minha condição física, uma vez que sou doente oncológica.
As provas mais curtas, apesar de serem mais rápidas, deixam-me menos margem para falhar fotos e eu gosto desse desafio. São menos exigentes do ponto de vista físico, mas mais exigentes do ponto de vista cognitivo. Nas longas, para além de poder explorar vários locais, coloca-se o desafio de fotografar à noite, que é algo que eu gosto imenso, de trabalhar com iluminação (flash). No entanto, são fisicamente bem mais exigentes e se o esforço não for bem gerido da minha parte, tornam-se física e emocionalmente dolorosas.

És fotógrafa de outras organizações estrangeiras. Qual a principal diferença entre o que se faz em Portugal e o que se faz lá fora?

Portugal não está atrás da maior parte das organizações onde estou, pelo contrário, são vistas como modelos a seguir e o exemplo disso é que muitos dos organizadores de outros países fazem questão de assistir aos nossos eventos. Por exemplo, na dança, isto acontece muito e foi isso que me abriu portas para poder estar lá fora, isto é, foi Portugal e os portugueses.
É claro que, dependendo dos apoios, sobretudo financeiros, da dimensão do evento, do país, vemos diferenças, mas isto até cá acontece entre municípios.
A vantagem de eu sair de Portugal para fotografar passa mais pelas novas experiências e pela possibilidade de conhecer novas pessoas, novos costumes, novos locais e continuar a praticar outros idiomas.  Mas eu gosto tanto de Portugal, que sou conhecida nas organizações estrangeiras por ter marcar viagem de regresso no avião cujo horário mais se aproxima do término do evento (risos).

Tens esperança que em 2021 voltem a haver competições?

Sim, se continuarmos unidos para “exterminar” este vírus, não tenho dúvidas de, com várias condicionantes, as competições regressarão.

Qual é o impacto da pandemia no teu trabalho como fotógrafa, não só de trail running, mas também de outros desportos e de dança?

Felizmente estive sempre com imenso trabalho, mas em muitos deles estou obrigada à confidencialidade e não posso publicar o que faço. Faz alguns anos que trabalho com marcas de calçado, sobretudo clássico, que precisam constantemente de conteúdos para design e comunicação das suas coleções. Paralelamente, faço gestão de redes sociais, dou aulas privadas de fotografia, dou formação online, acompanho o desenvolvimento de fotógrafos que solicitam a minha ajuda e ainda colaboro diariamente com 3 plataformas de stock nos Estados Unidos.
Como referi acima, em 2020, no trail running, tive a sorte de conseguir estar no TransPeneda Gerês, em Penacova e em Melgaço. Claro que tenho saudades, mas encaro este período como um momento para continuar a estudar fotografia, adquirir conhecimentos e assim melhorar o meu trabalho. Na dança estive também em eventos “à porta fechada”, cujas imagens são também apenas divulgadas pelas organizações.

Fotos: Susana Luzir

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